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Narrativas de Si e do Outro · 2o Periodo

A Escrita Confessional e o Diário

Análise das marcas de subjetividade e da função da escrita como registo de memória pessoal.

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Questões-Chave

  1. Qual é a fronteira entre a realidade e a ficção num texto autobiográfico?
  2. Como é que o tempo da escrita se relaciona com o tempo dos acontecimentos?
  3. De que forma o destinatário do diário influencia o tom da narrativa?

Aprendizagens Essenciais

DGE: 3o Ciclo - Leitura e EscritaDGE: 3o Ciclo - Educação Literária
Ano: 9° Ano
Disciplina: Vozes e Identidades: A Língua Portuguesa em Perspetiva
Unidade: Narrativas de Si e do Outro
Período: 2o Periodo

Sobre este tópico

A escrita confessional, exemplificada pelo diário e pelas memórias, permite aos alunos explorar a subjetividade e a construção da identidade através da palavra. No 9.º ano, o estudo foca-se na distinção entre o 'eu' que escreve e o 'eu' que viveu os acontecimentos, analisando marcas linguísticas como o uso da primeira pessoa, os determinantes possessivos e os adjetivos expressivos. Este tópico liga-se às Aprendizagens Essenciais de Educação Literária e Escrita, promovendo a reflexão sobre o tempo e a memória.

Ao lerem diários famosos ou textos autobiográficos, os alunos confrontam-se com a função catártica e documental da escrita. Este conteúdo é ideal para metodologias de escrita criativa e partilha em pares. A natureza pessoal destes textos exige um ambiente de sala de aula seguro e colaborativo, onde os alunos possam experimentar a sua própria voz narrativa e compreender como a seleção de memórias molda a perceção da realidade.

Objetivos de Aprendizagem

  • Analisar as marcas de subjetividade (uso da 1.ª pessoa, adjetivos expressivos, possessivos) na escrita confessional para distinguir o 'eu' narrador do 'eu' vivido.
  • Comparar a função documental e catártica da escrita diarística através da leitura de excertos de diários de diferentes épocas.
  • Explicar como a relação temporal entre o momento da escrita e o momento dos acontecimentos influencia a construção da memória num texto autobiográfico.
  • Avaliar o impacto da escolha do destinatário (real ou imaginado) no tom e no conteúdo de uma entrada de diário.
  • Criar uma entrada de diário que demonstre a aplicação das marcas de subjetividade e a articulação entre tempo de escrita e tempo vivido.

Antes de Começar

O Discurso Narrativo: Tempo e Espaço

Porquê: Os alunos precisam de compreender como o tempo e o espaço são construídos numa narrativa para poderem analisar a relação entre o tempo da escrita e o tempo vivido.

A Primeira Pessoa na Narração

Porquê: É fundamental que os alunos reconheçam e compreendam o uso da primeira pessoa como um marcador de subjetividade antes de analisarem textos confessionais.

Vocabulário-Chave

SubjetividadeA qualidade de ser baseado em sentimentos, gostos ou opiniões pessoais, em oposição a factos externos ou objetivos. Na escrita, manifesta-se através da expressão de emoções, pensamentos e perspetivas individuais.
Escrita ConfessionalUm género de escrita focado na partilha de experiências pessoais íntimas, pensamentos e sentimentos. Exemplos incluem diários, memórias e autobiografias.
Tempo da Escrita vs. Tempo VividoA distinção entre o momento em que um evento ocorre (tempo vivido) e o momento em que esse evento é registado ou narrado (tempo da escrita), que pode afetar a perspetiva e a memória.
Marcas de Primeira PessoaElementos linguísticos, como pronomes (eu, meu, comigo) e verbos conjugados na 1.ª pessoa, que indicam que o narrador está a relatar a sua própria experiência.
Função CatárticaO processo de libertação de emoções reprimidas através da expressão escrita ou artística, resultando num alívio psicológico.

Ideias de aprendizagem ativa

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Ligações ao Mundo Real

Jornalistas de investigação, como os que trabalham para o 'The Guardian', por vezes utilizam diários pessoais ou notas detalhadas como fonte primária para reconstruir eventos e apresentar uma narrativa mais completa e subjetiva de acontecimentos históricos.

Psicólogos e terapeutas podem sugerir a escrita de diários como uma ferramenta terapêutica para pacientes lidarem com traumas ou ansiedade, ajudando-os a processar emoções e a ganhar clareza sobre os seus sentimentos, semelhante à função catártica da escrita confessional.

Autores de romances históricos e biógrafos consultam frequentemente diários e cartas de figuras históricas, como os de Fernando Pessoa, para capturar a voz autêntica e as perspetivas íntimas dos seus sujeitos, enriquecendo a precisão e a profundidade das suas obras.

Atenção a estes erros comuns

Erro comumUm diário tem de ser um relato fiel e completo de tudo o que aconteceu.

O que ensinar em alternativa

Um diário é sempre uma seleção subjetiva. Através da comparação de relatos, os alunos aprendem que o autor escolhe o que é significativo para si, omitindo o que considera irrelevante, o que torna o texto uma construção literária.

Erro comumA escrita confessional não tem estrutura.

O que ensinar em alternativa

Embora pareça livre, o diário segue convenções como a datação e o tom coloquial. A análise de modelos ajuda os alunos a perceber que existe uma organização interna baseada na cronologia e na reflexão pessoal.

Ideias de Avaliação

Bilhete de Saída

Entregue a cada aluno um excerto curto de um diário. Peça-lhes para identificarem e listarem duas marcas de subjetividade presentes no texto e explicarem, numa frase, como estas marcas afetam a perceção do leitor sobre o autor.

Avaliação entre Pares

Os alunos escrevem uma breve entrada de diário (aprox. 100 palavras) sobre um evento recente. Depois, trocam com um colega. Cada colega avalia: O texto usa a 1.ª pessoa? Há pelo menos um adjetivo expressivo? O colega escreve uma sugestão para tornar a entrada mais pessoal.

Verificação Rápida

Coloque no quadro duas frases sobre o mesmo evento: uma escrita objetivamente e outra com marcas de subjetividade. Pergunte aos alunos: Qual frase representa melhor a escrita confessional e porquê? Recolha respostas rápidas oralmente ou através de um sistema de votação.

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Perguntas frequentes

Quais são as principais características de um diário?
As marcas principais são o uso da 1.ª pessoa, a presença de datas, o tom confessional e subjetivo, o uso de vocativos (Querido Diário) e a predominância de verbos no pretérito perfeito e imperfeito.
Qual é a diferença entre diário e memórias?
O diário é escrito quase em simultâneo com os factos (tempo da escrita próximo do tempo do acontecimento). As memórias são escritas muito depois, com um olhar retrospetivo e uma organização mais temática do que cronológica.
Por que razão estudamos textos autobiográficos no 9.º ano?
Estes textos ajudam a desenvolver a empatia e a autoconsciência. Além disso, permitem trabalhar competências gramaticais e de escrita de forma mais próxima da realidade e dos sentimentos dos alunos.
Como é que as atividades de escrita criativa ajudam a entender este tema?
Ao assumirem o papel de autores de diários, os alunos experimentam a dificuldade de traduzir emoções em palavras. Esta prática ativa torna a análise de textos de outros autores muito mais intuitiva, pois os alunos já reconhecem as escolhas linguísticas necessárias para criar um tom confessional.