
A Carta Constitucional: Uma Nova Lei Fundamental
Os alunos comparam a primeira Constituição com a Carta Constitucional, percebendo que houve diferentes formas de organizar o poder no início do Liberalismo.
Em síntese:Este tema exige que os alunos compreendam nuances de poder, leis e contexto histórico, que se tornam mais acessíveis através de atividades práticas. O uso de tabelas, debates e reconstruções temporais aproxima os alunos dos conceitos abstratos, permitindo-lhes identificar diferenças entre documentos legais de forma tangível e colaborativa.
Sobre este tópico
A Carta Constitucional de 1826 representa uma evolução no constitucionalismo português, comparada à Constituição de 1822. Os alunos analisam como a primeira Constituição, mais radical, limitava fortemente o poder do rei em favor das Cortes soberanas, enquanto a Carta, outorgada por D. Pedro IV, equilibra poderes, concede ao monarca iniciativa legislativa e veto, e reconhece o absolutismo moderado. Esta comparação destaca as tensões iniciais do Liberalismo entre absolutistas e liberais radicais, após as invasões francesas e a Guerra Civil.
No contexto do Currículo Nacional, este tema integra o 2.º Ciclo do domínio de Constitucionalismo e Leis Fundamentais, fomentando a compreensão de como as leis fundamentais moldaram a transição para a monarquia constitucional. Os alunos exploram as key questions: a diferença entre Constituição e Carta, o papel de D. Pedro na sua criação, e o impacto no equilíbrio entre rei e povo, desenvolvendo competências de análise histórica e comparação de documentos.
A aprendizagem ativa beneficia particularmente este tema porque as comparações de textos originais tornam conceitos abstractos concretos. Actividades como debates em pares ou construção de tabelas comparativas promovem discussões colaborativas, ajudando os alunos a internalizar diferenças subtis e a relacionar eventos históricos com estruturas de poder actuais.
Questões-Chave
- Qual a diferença entre uma Constituição e uma Carta Constitucional?
- Quem decidiu criar a Carta Constitucional?
- Como é que estas leis afetavam o poder do rei e do povo?
Objetivos de Aprendizagem
- Comparar as principais diferenças entre a Constituição de 1822 e a Carta Constitucional de 1826 no que diz respeito à organização dos poderes.
- Identificar o papel de D. Pedro IV na outorga da Carta Constitucional de 1826.
- Explicar como a Carta Constitucional de 1826 alterou o equilíbrio de poder entre o Rei e o povo, em comparação com a Constituição de 1822.
- Analisar o impacto da Carta Constitucional de 1826 na consolidação do Liberalismo em Portugal.
Antes de Começar
Porquê: É fundamental que os alunos compreendam o modelo de poder absoluto do Rei antes de analisar as mudanças introduzidas pelas primeiras leis liberais.
Porquê: O contexto histórico das invasões e do regresso de D. João VI é essencial para entender as convulsões políticas que levaram à necessidade de novas leis fundamentais.
Vocabulário-Chave
| Carta Constitucional | Lei fundamental outorgada (imposta) pelo Rei D. Pedro IV em 1826, que estabelecia um regime liberal moderado com um equilíbrio de poderes. |
| Constituição | Lei fundamental elaborada pelas Cortes e aprovada em 1822, que representava um liberalismo mais radical, com maior soberania das Cortes. |
| Outorgada | Diz-se de uma lei ou documento que é concedido ou imposto por uma autoridade superior, sem ser discutido ou votado por representantes do povo. |
| Poder Moderador | Um dos quatro poderes previstos na Carta Constitucional, exercido pelo Rei, que lhe permitia intervir nos outros poderes (Executivo, Legislativo, Judicial) e garantir o seu funcionamento. |
| Soberania | O poder supremo de governar, que, na Constituição de 1822, residia nas Cortes, e na Carta Constitucional era partilhado entre o Rei e as Cortes. |
Atenção a estes erros comuns
Erro comumA Carta Constitucional é igual à Constituição de 1822.
O que ensinar em alternativa
A Constituição era soberana nas Cortes, enquanto a Carta outorgada pelo rei mantém-lhe poderes executivos fortes. Actividades comparativas em grupos revelam estas diferenças através de análise textual directa, corrigindo visões simplistas.
Erro comumO rei perdeu todo o poder com a Carta.
O que ensinar em alternativa
A Carta concede ao rei iniciativa legislativa e dissolução de Cortes, equilibrando poderes. Debates em sala ajudam os alunos a discutir estes limites, promovendo compreensão nuançada via diálogo peer-to-peer.
Erro comumA Carta foi criada pelo povo.
O que ensinar em alternativa
Foi outorgada por D. Pedro IV após a Guerra Civil. Reconstruções de timelines colaborativas clarificam o contexto, mostrando o papel das elites liberais e evitando anacronismos democráticos.
Ideias de aprendizagem ativa
Ver todas as atividades→Mapeamento Concetual
Análise Comparativa: Tabelas em Pares
Os alunos recebem extractos da Constituição de 1822 e da Carta de 1826. Em pares, preenchem uma tabela comparando poderes do rei, Cortes e povo, destacando semelhanças e diferenças. Partilham depois com a turma.
Mapeamento Concetual
Estafetas: Poderes do Rei
Divida a turma em estafetas com documentos. Cada grupo lê uma secção sobre poderes monárquicos ou parlamentares, resume e passa ao grupo seguinte. Ao final, constroem um mapa conceptual colectivo.
Mapeamento Concetual
Debate Histórico: Whole Class
Atribua papéis: liberais radicais defendem a Constituição de 1822, moderados a Carta. Preparam argumentos em 10 minutos e debatem, votando no final pela melhor lei fundamental.
Ligações ao Mundo Real
- Ao visitar o Palácio Nacional da Ajuda em Lisboa, os alunos podem observar o espaço onde funcionavam alguns dos poderes do Estado, imaginando como as decisões tomadas com base na Carta Constitucional afetavam a vida dos portugueses.
- A comparação entre a Constituição de 1822 e a Carta Constitucional de 1826 ajuda a compreender a importância do debate e da negociação na criação de leis fundamentais, um processo essencial para a democracia moderna, visível hoje na Assembleia da República.
Ideias de Avaliação
Entregue aos alunos um cartão com duas colunas: 'Constituição de 1822' e 'Carta Constitucional de 1826'. Peça-lhes para escreverem uma diferença fundamental entre as duas leis em cada coluna, focando na organização do poder.
Coloque a seguinte questão no quadro: 'Se fosse um deputado em 1826, defenderia a Constituição de 1822 ou a Carta Constitucional de 1826? Justifique a sua escolha com base no impacto no poder do Rei e do povo.'
Apresente aos alunos três afirmações sobre a Carta Constitucional (ex: 'O Rei tinha poder absoluto', 'O Rei podia dissolver as Cortes', 'O povo elegia diretamente todos os deputados'). Peça-lhes para indicarem se cada afirmação é Verdadeira ou Falsa, explicando brevemente o porquê.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre uma Constituição e uma Carta Constitucional?
Quem decidiu criar a Carta Constitucional?
Como é que estas leis afetavam o poder do rei e do povo?
Como usar aprendizagem ativa para ensinar a Carta Constitucional?
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