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Filosofia · 11.º Ano · O Problema do Conhecimento · 1o Periodo

O Problema da Causalidade em Hume

Análise da crítica de Hume à ideia de causalidade e suas implicações para o conhecimento científico e quotidiano.

Aprendizagens EssenciaisDGE: Secundário - O Problema da Origem do Conhecimento

Sobre este tópico

O problema da causalidade em Hume centra-se na crítica à ideia tradicional de uma conexão necessária entre causa e efeito. Hume argumenta que não temos impressão sensorial direta dessa conexão: observamos apenas eventos consecutivos e conjunções constantes, mas não a ligação necessária que os une. Os alunos do 11.º ano exploram como as crenças em causalidade surgem do hábito, da expectativa e da uniformidade da natureza, não de um raciocínio demonstrativo ou intuitivo.

Esta análise tem implicações profundas para o conhecimento científico e quotidiano. No âmbito científico, questiona a certeza absoluta das leis naturais e induções, convidando a uma visão probabilística do mundo. No dia a dia, afeta como interpretamos coincidências ou eventos sucessivos, como ver o sol nascer após o galo cantar. Comparar esta perspetiva com a intuição do senso comum, que assume causalidade imediata e evidente, ajuda os alunos a avaliar as limitações do nosso entendimento.

No Currículo Nacional, este tema enquadra-se no problema da origem do conhecimento, promovendo pensamento crítico. A aprendizagem ativa beneficia particularmente este tópico porque debates estruturados e análises de casos reais tornam conceitos abstratos acessíveis, fomentam o diálogo entre perspetivas e desenvolvem competências de argumentação rigorosa.

Questões-Chave

  1. Explique por que Hume argumenta que não temos impressão da conexão necessária entre causa e efeito.
  2. Avalie as consequências da visão de Hume sobre a causalidade para a nossa compreensão do mundo.
  3. Compare a visão de Hume sobre a causalidade com a intuição do senso comum.

Objetivos de Aprendizagem

  • Explicar a ausência de uma impressão sensorial direta da conexão necessária entre causa e efeito, segundo Hume.
  • Analisar como o hábito e a conjunção constante formam a nossa crença em relações causais.
  • Avaliar as implicações da crítica de Hume à causalidade para a fiabilidade do conhecimento científico.
  • Comparar a explicação de Hume sobre a causalidade com a intuição comum sobre a necessidade causal.

Antes de Começar

O Problema da Indução

Porquê: A compreensão da crítica de Hume à indução é fundamental para analisar a sua crítica à causalidade, pois ambas se baseiam na distinção entre observação e inferência necessária.

Empirismo vs. Racionalismo

Porquê: Os alunos precisam de ter uma noção das diferentes fontes de conhecimento (experiência vs. razão) para compreender a base empirista da crítica de Hume.

Vocabulário-Chave

Conexão NecessáriaA ligação intrínseca e inevitável entre um evento (causa) e outro (efeito), que se supõe ser descoberta pela razão ou pela experiência direta.
Conjunção ConstanteA observação repetida de que um tipo de evento é sempre seguido por outro tipo de evento, sem exceção aparente.
Hábito (Costume)A disposição mental, adquirida pela repetição de experiências, que nos leva a esperar que um evento siga outro.
ImpressãoNo sistema de Hume, as sensações vívidas e imediatas que recebemos do mundo exterior ou das nossas operações internas da mente.
InduçãoO processo de raciocínio que parte de observações particulares para chegar a uma conclusão geral, como a formulação de leis científicas.

Atenção a estes erros comuns

Erro comumHume nega completamente a existência da causalidade.

O que ensinar em alternativa

Hume não nega que observamos regularidades, mas questiona a conexão necessária. Abordagens ativas como debates ajudam os alunos a clarificar esta nuance, comparando exemplos e reformulando crenças erradas em discussões guiadas.

Erro comumA causalidade é diretamente observável nos sentidos.

O que ensinar em alternativa

Não temos impressão da ligação necessária, só de sucessão. Experimentos mentais em grupo revelam esta distinção, permitindo que os alunos testem as suas intuições e corrijam modelos mentais através de partilha coletiva.

Erro comumA visão de Hume torna a ciência impossível.

O que ensinar em alternativa

Hume defende uma crença prática baseada em hábito, não certeza absoluta. Análises de casos científicos em small groups mostram como a ciência avança apesar desta crítica, fomentando compreensão equilibrada.

Ideias de aprendizagem ativa

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Ligações ao Mundo Real

  • Investigadores em epidemiologia, como os que estudam a propagação de doenças em Portugal, precisam de distinguir correlações estatísticas (conjunções constantes) de causalidade real para desenvolver intervenções eficazes.
  • A prática da medicina baseada em evidências exige que os médicos avaliem criticamente os estudos clínicos, questionando se uma melhoria observada num paciente é causada por um tratamento específico ou por outros fatores, como o efeito placebo ou a regressão à média.

Ideias de Avaliação

Questão para Discussão

Coloque a seguinte questão aos alunos: 'Imagine que vê sempre o sol nascer depois de o galo cantar. De acordo com Hume, como explicaria esta sequência de eventos e por que não podemos afirmar com certeza que o galo causa o nascer do sol?' Peça aos alunos para partilharem as suas respostas em pares antes de uma discussão em plenária.

Verificação Rápida

Apresente aos alunos duas afirmações: 1. 'Todos os cisnes que vi até agora são brancos.' 2. 'Portanto, todos os cisnes do mundo são brancos.' Peça-lhes para identificarem qual delas representa uma conjunção constante observada e qual representa uma inferência causal, explicando brevemente a sua escolha com base em Hume.

Bilhete de Saída

Peça aos alunos para escreverem num pequeno papel: Uma situação quotidiana onde aplicamos o conceito de causalidade sem pensar criticamente, e uma razão pela qual a análise de Hume nos desafia a reconsiderar essa aplicação.

Perguntas frequentes

Por que Hume argumenta que não temos impressão da conexão necessária?
Hume distingue impressões de ideias: vemos apenas eventos consecutivos, como bola a bater em outra, mas não a 'força' que os liga. A crença em causalidade surge do hábito após repetições, não de perceção direta. Esta análise desafia o dogmatismo e promove ceticismo moderado no conhecimento.
Quais as consequências da visão de Hume para o conhecimento científico?
Questiona induções como leis imutáveis, sugerindo crenças probabilísticas baseadas em experiência passada. A ciência prossegue com métodos empíricos cautelosos, testando regularidades. Os alunos aprendem a valorizar falsificabilidade e evidência acumulada sobre certeza absoluta.
Como a aprendizagem ativa ajuda a compreender a causalidade em Hume?
Atividades como debates e experimentos mentais tornam abstrato concreto: alunos testam intuições em grupos, registam hábitos e debatem contra-argumentos. Esta interação revela limitações sensoriais, desenvolve argumentação e retém conceitos melhor que aulas expositivas passivas.
Como comparar a visão de Hume com o senso comum?
O senso comum assume causalidade intuitiva e imediata em sucessões observadas; Hume vê-a como projeção habitual sem base racional necessária. Comparações em discussões coletivas destacam forças do senso comum prático versus rigor analítico de Hume, equilibrando perspetivas.