A Voz do Autor e a Impessoalidade
Discussão sobre a presença do autor no texto dissertativo e a busca pela objetividade.
Sobre este tópico
A voz do autor no texto dissertativo revela-se por meio de escolhas linguísticas como pronomes pessoais, verbos no modo indicativo e construções que marcam posicionamento. No contexto da BNCC (EM13LGG301 e EM13LGG402), os alunos do 3º ano do Ensino Médio analisam como 'eu', 'nós' ou 'o autor defende' indicam subjetividade, contrastando com a impessoalidade que privilegia 'considera-se', 'evidencia-se' para maior objetividade. Essa distinção é essencial na construção de argumentos para o Enem, onde textos acadêmicos e jornalísticos demandam equilíbrio entre tese crítica e neutralidade aparente.
A impessoalidade não elimina o posicionamento, mas o mascara em prol da credibilidade, diferenciando-se da ausência de crítica. Alunos identificam padrões em editoriais e artigos científicos, avaliando impactos na persuasão. Essa habilidade fortalece a produção textual, preparando para gêneros formais.
Aprendizagem ativa beneficia esse tema porque atividades colaborativas, como análise coletiva de textos reais, tornam abstratas escolhas linguísticas concretas e discutíveis. Quando alunos marcam vozes em pares ou reescrevem trechos em grupo, compreendem nuances práticas, retendo melhor e aplicando em redações próprias.
Perguntas-Chave
- Como a escolha de pronomes e verbos pode revelar a posição do autor no texto?
- Diferencie a impessoalidade da ausência de posicionamento crítico.
- Avalie a importância da impessoalidade em textos acadêmicos e jornalísticos.
Objetivos de Aprendizagem
- Analisar como a escolha de pronomes (eu, nós) e a conjugação verbal (indicativo) marcam a presença e o posicionamento do autor em textos dissertativos.
- Comparar a impessoalidade (uso de 'considera-se', 'evidencia-se') com a ausência de posicionamento crítico em diferentes gêneros textuais.
- Avaliar a eficácia da impessoalidade na construção da credibilidade em artigos acadêmicos e reportagens jornalísticas.
- Identificar estratégias linguísticas que conferem objetividade ou subjetividade a um texto dissertativo.
- Criticar a neutralidade aparente em textos argumentativos, diferenciando-a da falta de engajamento crítico.
Antes de Começar
Por quê: É fundamental que os alunos já compreendam a estrutura e o objetivo dos textos dissertativos para analisar a presença e a função da voz autoral.
Por quê: O conhecimento sobre o modo indicativo é essencial para identificar como ele é usado para expressar certeza e, consequentemente, a voz do autor.
Vocabulário-Chave
| Voz autoral | Refere-se às marcas linguísticas (pronomes, verbos, advérbios) que indicam a presença e o ponto de vista do autor no texto. |
| Impessoalidade | Característica de textos que buscam objetividade, utilizando construções que evitam a marcação explícita do sujeito (ex: voz passiva sintética, terceira pessoa). |
| Subjetividade | Presença explícita ou implícita do ponto de vista, das opiniões e das emoções do autor no texto, frequentemente marcada pelo uso da primeira pessoa. |
| Objetividade | Busca por apresentar informações de forma neutra, imparcial e verificável, minimizando a interferência das opiniões e sentimentos do autor. |
| Posicionamento crítico | A defesa de um ponto de vista ou tese sobre um determinado assunto, mesmo que expressa de forma impessoal ou indireta. |
Cuidado com estes equívocos
Equívoco comumUsar 'nós' sempre garante objetividade.
O que ensinar em vez disso
'Nós' pode soar subjetivo em contextos acadêmicos, preferindo passiva ou 'a sociedade'. Análises em pares de textos jornalísticos revelam isso, com marcações coletivas corrigindo visões erradas via debate imediato.
Equívoco comumPronomes pessoais são proibidos em dissertações.
O que ensinar em vez disso
São usados com moderação para ênfase, mas excesso compromete formalidade. Debates regulados mostram equilíbrio, onde avaliadores em grupo notam e ajustam em tempo real.
Ideias de aprendizagem ativa
Ver todas as atividadesAnálise em Pares: Marcando a Voz do Autor
Entregue trechos de dissertações do Enem. Em pares, alunos destacam pronomes e verbos que revelam subjetividade, classificando-os como pessoais ou impessoais. Discutam em 5 minutos como mudar para objetividade.
Reescrita em Grupo: Da Subjetividade à Impessoalidade
Divida a turma em pequenos grupos. Forneça parágrafo opinativo; grupos reescrevem coletivamente em impessoal, justificando escolhas. Apresentem uma versão ao final.
Debate Regulado: Voz e Objetividade
Organize debate em roda sobre tema polêmico, com regras de impessoalidade. Alunos rotacionam papéis de debatedor e avaliador, registrando violações linguísticas.
Autoedição Individual: Texto Pessoal para Acadêmico
Alunos escrevem parágrafo pessoal sobre notícia atual. Depois, editam sozinhos para impessoalidade, comparando versões em rodadas de feedback.
Conexões com o Mundo Real
- Jornalistas em redações de grandes portais como G1 ou UOL utilizam a impessoalidade para relatar fatos e apresentar dados em notícias factuais, buscando credibilidade junto ao leitor.
- Pesquisadores em universidades brasileiras, ao redigirem artigos científicos para periódicos como a Scielo, empregam a impessoalidade para descrever metodologias e apresentar resultados de forma objetiva e replicável.
- Editores de jornais, como a Folha de S.Paulo ou O Estado de S. Paulo, ao escreverem editoriais, embora defendam um ponto de vista, o fazem de maneira a conferir autoridade ao veículo, utilizando uma linguagem que se distancia do 'eu' pessoal.
Ideias de Avaliação
Apresente aos alunos trechos de duas reportagens sobre o mesmo evento: uma com forte marcação de voz autoral (ex: 'Eu acho que...') e outra mais impessoal (ex: 'Observa-se que...'). Pergunte: Qual texto parece mais confiável? Por quê? Como a escolha dos verbos e pronomes afeta a percepção do leitor?
Distribua um pequeno texto dissertativo e peça aos alunos que circulem todas as palavras ou expressões que indicam a voz do autor (ex: 'acredito', 'em minha opinião', 'nós vemos'). Em seguida, peça que reescrevam uma frase marcada pela subjetividade, tornando-a impessoal.
Em duplas, os alunos analisam um artigo de opinião e um artigo científico. Um aluno identifica as marcas de subjetividade/impessoalidade no artigo de opinião, enquanto o outro faz o mesmo no artigo científico. Eles trocam os textos e verificam se as identificações estão corretas, discutindo as diferenças de propósito e público.
Perguntas frequentes
Como identificar a voz do autor em textos dissertativos?
Por que a impessoalidade é importante em textos acadêmicos?
Como a aprendizagem ativa ajuda no tema da voz do autor?
Qual a diferença entre impessoalidade e ausência de crítica?
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