Escritas Femininas e de Autoria Negra
A representatividade e a quebra de estereótipos na literatura brasileira recente.
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Perguntas-Chave
- Como o conceito de escrevivência de Conceição Evaristo altera a relação entre autor e obra?
- De que maneira a literatura pode servir como ferramenta de reparação histórica?
- Quais são os temas recorrentes que emergem das novas vozes femininas na literatura?
Habilidades BNCC
Sobre este tópico
As escritas femininas e de autoria negra são fundamentais para uma visão completa da literatura brasileira contemporânea. Na 3ª série, os alunos exploram como autoras como Conceição Evaristo, Carolina Maria de Jesus e Djamila Ribeiro ressignificam a história do Brasil a partir de suas vivências. O conceito de 'escrevivência' de Evaristo é central aqui: a escrita que nasce da experiência coletiva e individual de mulheres negras. As habilidades EM13LGG601 e EM13LGG603 orientam a análise dessas obras como ferramentas de reparação histórica e quebra de estereótipos.
Este tópico permite discutir temas como ancestralidade, racismo estrutural e o papel da mulher na sociedade. É uma literatura que convida à reflexão sobre quem teve o direito de narrar a história do país até agora. O uso de círculos de leitura e debates colaborativos ajuda os alunos a se conectarem emocionalmente com os textos e a desenvolverem uma consciência crítica sobre representatividade.
Objetivos de Aprendizagem
- Analisar como o conceito de 'escrevivência' de Conceição Evaristo redefine a relação entre a experiência vivida da autora e a construção de sua obra literária.
- Criticar a representação de personagens negras e femininas na literatura brasileira anterior, identificando estereótipos e lacunas históricas.
- Explicar como obras de autoras negras e femininas recentes contribuem para a reparação histórica e a desconstrução de narrativas hegemônicas.
- Comparar os temas centrais abordados por diferentes escritoras negras e femininas contemporâneas, como ancestralidade, racismo e corporeidade.
- Sintetizar argumentos sobre o papel da literatura como ferramenta de visibilidade e afirmação de identidades marginalizadas.
Antes de Começar
Por quê: Os alunos precisam ter uma base sobre os diferentes gêneros literários (poesia, prosa, conto, romance) para analisar as formas como as autoras constroem suas narrativas.
Por quê: É fundamental que os alunos possuam noções sobre os principais períodos e movimentos da literatura brasileira para compreender as rupturas e continuidades propostas pelas escritas contemporâneas.
Por quê: A capacidade de identificar e analisar personagens, seus conflitos e os temas centrais de uma obra é essencial para compreender as propostas das autoras estudadas.
Vocabulário-Chave
| Escrevivência | Conceito criado por Conceição Evaristo que une escrita, vida e vivência, especialmente a de mulheres negras, onde a experiência pessoal e coletiva se torna matéria literária. |
| Reparação histórica | Processo pelo qual se busca reconhecer, confrontar e, de alguma forma, compensar injustiças e apagamentos históricos, muitas vezes por meio da arte e da memória. |
| Narrativas hegemônicas | Histórias e discursos dominantes em uma sociedade, geralmente produzidos pelos grupos de poder, que tendem a silenciar ou marginalizar outras perspectivas. |
| Interseccionalidade | Termo que descreve a sobreposição de diferentes formas de opressão e discriminação (como raça, gênero, classe social) que afetam a experiência de indivíduos e grupos. |
| Ancestralidade | A conexão com os antepassados e a herança cultural, espiritual e histórica que eles deixam, fundamental para a construção da identidade em muitas culturas, especialmente na afro-brasileira. |
Ideias de aprendizagem ativa
Ver todas as atividadesCírculo de Investigação: O Conceito de Escrevivência
Alunos leem contos de Conceição Evaristo e devem identificar elementos onde a biografia da autora se mistura à ficção e à história coletiva do povo negro no Brasil.
Caminhada pela Galeria: Mulheres que Escrevem o Brasil
Cartazes com biografias e trechos de obras de autoras negras e indígenas. Os alunos circulam e anotam temas comuns e diferenças nas abordagens de cada autora.
Pensar-Compartilhar-Trocar: Quebrando Estereótipos
Em duplas, os alunos comparam a representação de personagens negras em clássicos do passado com as obras contemporâneas de autoria negra, discutindo as mudanças de perspectiva.
Conexões com o Mundo Real
Profissionais de marketing cultural e curadores de exposições literárias utilizam a análise de escritas femininas e negras para diversificar o cânone literário e promover eventos que dialoguem com questões sociais atuais, como a Feira Literária Internacional de Paraty (FLIP) que já teve edições com foco em autoras negras.
Jornalistas e pesquisadores em veículos de comunicação e universidades utilizam a literatura de autoria negra e feminina para embasar matérias sobre racismo estrutural, representatividade na mídia e a história não contada de grupos marginalizados no Brasil.
Editoras e agentes literários buscam ativamente novas vozes femininas e negras para publicar, reconhecendo o potencial comercial e o impacto social dessas obras, como a crescente publicação de romances e contos que abordam a experiência de mulheres trans e lésbicas no país.
Cuidado com estes equívocos
Equívoco comumLiteratura de autoria negra é apenas sobre sofrimento e escravidão.
O que ensinar em vez disso
Ela aborda também afeto, ancestralidade, resistência, alegria e intelectualidade. O contato com diversas obras ajuda os alunos a verem a pluralidade de temas e a humanidade plena desses autores.
Equívoco comumEscrevivência é o mesmo que autobiografia.
O que ensinar em vez disso
A escrevivência vai além do 'eu'; ela abarca a experiência de um grupo social e histórico. Debates em grupo ajudam a entender essa dimensão coletiva da escrita de Conceição Evaristo.
Ideias de Avaliação
Organize os alunos em pequenos grupos e apresente a seguinte questão: 'De que maneira a leitura de um trecho de Carolina Maria de Jesus em 'Quarto de Despejo' pode nos fazer repensar a forma como a pobreza e a vida nas periferias foram retratadas em outras obras literárias brasileiras?'. Peça que discutam e registrem os principais pontos de convergência e divergência de suas análises.
Distribua um pequeno pedaço de papel para cada aluno. Solicite que respondam: 'Cite uma autora negra ou feminina estudada neste bimestre e explique, com suas palavras, como a obra dela desafia um estereótipo comum sobre mulheres ou pessoas negras no Brasil.' Peça que entreguem na saída da sala.
Durante a leitura de um poema de Conceição Evaristo, pause em momentos chave e pergunte aos alunos: 'Que sentimento ou memória essa passagem evoca em você? Como isso se conecta com a ideia de 'escrevivência' que discutimos?'. Anote as respostas mais pertinentes para verificar a compreensão do conceito.
Metodologias Sugeridas
Pronto para ensinar este tópico?
Gere uma missão de aprendizagem ativa completa e pronta para a sala de aula em segundos.
Gerar uma Missão PersonalizadaPerguntas frequentes
O que é o conceito de 'escrevivência'?
Por que é importante estudar autoria negra no Ensino Médio?
Como o aprendizado centrado no aluno favorece a discussão sobre representatividade?
Quem foi Carolina Maria de Jesus?
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