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Filosofia · 3ª Série EM · Lógica, Linguagem e Argumentação · Semanas 28-36

Falar é Agir: O que Fazemos com as Palavras

Os alunos exploram a ideia de que, ao falar, não estamos apenas descrevendo coisas, mas também realizando ações (prometer, perguntar, ordenar, avisar), e como essas ações têm efeitos no mundo.

Habilidades BNCCEM13LGG101EM13LGG303

Sobre este tópico

A teoria dos atos de fala, proposta por J. L. Austin e sistematizada por John Searle, revela que falar não é apenas descrever o mundo, mas realizar ações concretas, como prometer, ordenar, perguntar ou avisar. Os alunos distinguem atos locucionários (dizer algo com sentido), ilocucionários (fazer algo ao dizer, como afirmar ou prometer) e perlocucionários (produzir efeitos no ouvinte, como convencer ou assustar). As condições de felicidade garantem que esses atos funcionem adequadamente, dependendo de contexto social e intenções claras.

Searle avança ao diferenciar regras regulativas (que guiam ações existentes) de constitutivas (que criam novas realidades, como em casamentos ou julgamentos) e propõe uma taxonomia de atos ilocucionários: assertivos, diretivos, comissivos, expressivos e declarativos. Essa abordagem impacta a filosofia da linguagem ao destacar a dimensão performativa da comunicação, com implicações políticas, como em discursos que mobilizam massas ou legislam realidades.

No Currículo BNCC (EM13LGG101, EM13LGG303), o tema desenvolve lógica, linguagem e argumentação. A aprendizagem ativa beneficia especialmente esse tópico porque simulações de atos de fala e análises de diálogos reais tornam conceitos abstratos vivenciáveis, fomentando reflexão crítica sobre o poder das palavras no cotidiano e na sociedade.

Perguntas-Chave

  1. Analise a teoria dos atos de fala de Austin, distinguindo atos locucionários, ilocucionários e perlocucionários e explicando as condições de felicidade de cada categoria.
  2. Explique como Searle sistematiza a teoria austiniana ao introduzir a distinção entre regras regulativas e constitutivas e ao propor uma taxonomia dos atos ilocucionários.
  3. Avalie o impacto da teoria dos atos de fala para a filosofia da linguagem e para a compreensão da dimensão performativa e política da comunicação.

Objetivos de Aprendizagem

  • Distinguir os atos locucionários, ilocucionários e perlocucionários em exemplos de comunicação cotidiana.
  • Explicar as condições de felicidade para a realização bem-sucedida de atos de fala, identificando falhas em cenários hipotéticos.
  • Comparar a teoria de Austin com a sistematização de Searle, destacando a introdução das regras constitutivas e a taxonomia dos atos ilocucionários.
  • Avaliar o impacto da teoria dos atos de fala na compreensão da linguagem como ação, citando exemplos de discursos com efeitos políticos.
  • Classificar atos de fala em assertivos, diretivos, comissivos, expressivos e declarativos, com base em suas funções e intenções.

Antes de Começar

Funções da Linguagem

Por quê: Compreender as diferentes funções da linguagem (referencial, emotiva, conativa, etc.) ajuda os alunos a identificar as intenções por trás dos atos de fala.

Argumentação e Persuasão

Por quê: O estudo de como construir argumentos e persuadir o outro fornece uma base para analisar os efeitos dos atos de fala e as estratégias de comunicação.

Vocabulário-Chave

Ato LocucionárioO ato de dizer algo com sentido e referência, ou seja, a própria emissão de palavras com significado.
Ato IlocucionárioA ação realizada ao dizer algo, como prometer, ordenar, perguntar ou afirmar, indicando a intenção do falante.
Ato PerlocucionárioO efeito produzido no ouvinte pela fala, como persuadir, assustar, convencer ou inspirar.
Condições de FelicidadeAs circunstâncias e requisitos necessários para que um ato de fala seja considerado bem-sucedido e válido em seu contexto.
Regras ConstitutivasRegras que criam ou definem novas práticas e realidades, como as de um jogo ou de uma cerimônia oficial.

Cuidado com estes equívocos

Equívoco comumFalar é só descrever fatos, sem criar ações.

O que ensinar em vez disso

Muitos alunos veem linguagem como mera representação, ignorando o performativo. Atividades de role-playing mostram atos ilocucionários em ação, como juramentos que criam obrigações reais, ajudando a superar isso via experiência direta e discussão em grupo.

Equívoco comumTodos os atos de fala têm o mesmo efeito, independentemente do contexto.

O que ensinar em vez disso

Alunos subestimam condições de felicidade. Simulações de encenações felizes e infelizes revelam como autoridade ou intenção alteram resultados, com análises colaborativas reforçando a distinção entre regras regulativas e constitutivas.

Equívoco comumAtos perlocucionários são intencionais como os ilocucionários.

O que ensinar em vez disso

Confundem intenção direta com efeitos indiretos. Debates e análises de diálogos reais distinguem esses níveis, onde grupos mapeiam efeitos observados, promovendo clareza via reflexão compartilhada.

Ideias de aprendizagem ativa

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Conexões com o Mundo Real

  • Em um tribunal, o juiz profere a sentença (ato ilocucionário declarativo), que tem o poder de alterar o status legal de uma pessoa (ato perlocucionário). A validade depende das condições de felicidade, como a autoridade do juiz.
  • Um político em um comício realiza um ato ilocucionário diretivo ao pedir votos e um comissivo ao prometer melhorias. O efeito perlocucionário buscado é a mobilização do eleitorado para a ação de votar.

Ideias de Avaliação

Verificação Rápida

Apresente aos alunos 5 frases curtas, como 'Chove lá fora', 'Por favor, feche a porta', 'Prometo que irei ajudar'. Peça que identifiquem o tipo de ato de fala (locucionário, ilocucionário, perlocucionário) e a intenção principal (afirmar, pedir, prometer) em cada uma.

Pergunta para Discussão

Proponha a seguinte questão para debate em pequenos grupos: 'Como as 'condições de felicidade' explicam por que um casamento celebrado por um ator em uma peça de teatro não tem o mesmo efeito legal que um casamento celebrado por um oficial de justiça?'

Bilhete de Saída

Peça aos alunos que escrevam em um papel um exemplo de um ato de fala que realizaram hoje. Em seguida, devem classificar esse ato como locucionário, ilocucionário e/ou perlocucionário, e explicar qual era a sua intenção ao realizá-lo.

Perguntas frequentes

O que são atos de fala segundo Austin?
Austin define atos de fala em três dimensões: locucionário (emitir enunciado com sentido), ilocucionário (intenção como prometer ou ordenar) e perlocucionário (efeito no ouvinte, como persuadir). As condições de felicidade, como sinceridade e autoridade, são essenciais para validade. Essa teoria transforma a visão da linguagem em ferramenta ativa, com aplicações em direito e política.
Como Searle melhora a teoria de Austin?
Searle sistematiza com regras constitutivas (criam realidades novas) versus regulativas, e taxonomia: assertivos (afirmar), diretivos (pedir), comissivos (prometer), expressivos (agradecer) e declarativos (declarar). Isso explica melhor o funcionamento social da linguagem, impactando filosofia e comunicação cotidiana.
Qual o impacto da teoria dos atos de fala na filosofia da linguagem?
Revoluciona ao mostrar linguagem como ação performativa, não só descritiva. Destaca poder político das palavras em discursos que convencem ou legitimam, conectando à argumentação e ética na BNCC. Ajuda entender fake news como atos infelizes com efeitos perlocucionários manipuladores.
Como a aprendizagem ativa ajuda no ensino de atos de fala?
Atividades como role-playing e análise de diálogos reais permitem vivenciar atos ilocucionários e perlocucionários, tornando abstrato concreto. Grupos discutem condições de felicidade em encenações, revelando efeitos sociais. Isso fomenta pensamento crítico sobre comunicação performativa, alinhado à BNCC, com maior retenção que aulas expositivas.

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