Definição

O coensino é uma organização instrucional na qual dois professores certificados compartilham uma mesma sala de aula, sendo conjuntamente responsáveis pelo planejamento, condução e avaliação da instrução para um grupo heterogêneo de estudantes. Ambos os professores estão presentes durante toda a aula, embora seus papéis específicos variem conforme o modelo estruturado que estejam utilizando em cada momento.

Essa prática se formalizou como resposta às legislações federais de educação especial nos Estados Unidos, sobretudo o Individuals with Disabilities Education Act (IDEA), que exige que estudantes com deficiência sejam educados no ambiente menos restritivo possível. Na prática, o coensino geralmente reúne um professor da classe comum com um professor de educação especial, mas o modelo se estende a especialistas de área, professores de desenvolvimento da língua inglesa, professores de educação para superdotados e especialistas em leitura. No contexto brasileiro, o coensino dialoga diretamente com as diretrizes de educação inclusiva da BNCC e com o Atendimento Educacional Especializado (AEE).

É fundamental compreender que coensino não é simplesmente ter dois adultos na mesma sala. Marilyn Friend e Lynne Cook, cuja estrutura de 1992 permanece a principal referência da área, definem o coensino como dois ou mais profissionais ministrando instrução substantiva a um grupo diversificado de estudantes em um espaço compartilhado. A palavra "substantiva" tem peso real nessa definição: ambos os professores devem estar ativamente ensinando, não um ensinando enquanto o outro monitora o comportamento.

Contexto Histórico

As raízes intelectuais do coensino remontam aos experimentos de docência em equipe do final dos anos 1950 e 1960, quando escolas do "Model Schools Project" de Trump (1959) exploravam composições flexíveis de equipes para diferenciar a instrução em larga escala. Esses experimentos iniciais foram em grande parte abandonados, vistos como administrativamente complexos sem benefícios claros para os resultados.

O modelo moderno de coensino tomou forma em resposta às disposições de mainstreaming da Lei Pública 94-142, aprovada em 1975, que começou a retirar estudantes com deficiência de ambientes segregados. As escolas precisavam de um mecanismo para incluir esses estudantes na educação regular sem abrir mão do suporte especializado. Os serviços de educação especial "push-in" tornaram-se um precursor informal do coensino estruturado.

A estrutura com a qual a maioria dos professores tem contato hoje vem de Marilyn Friend (Universidade da Carolina do Norte em Greensboro) e Lynne Cook, cujo livro de 1992 Interactions: Collaboration Skills for School Professionals codificou seis modelos distintos de coensino. Friend expandiu esse trabalho em seu livro de 2008 Co-Teach!, que acrescentou orientações substanciais sobre as relações entre coprofessores e estruturas administrativas. Sua taxonomia de seis modelos foi adotada em programas de formação de professores nos Estados Unidos, Austrália, Canadá e Reino Unido.

Vaughn, Schumm e Argüelles (1997) conduziram alguns dos primeiros estudos empíricos comparando o coensino a outros formatos de atendimento, estabelecendo uma linha de base de pesquisa que metanálises posteriores refinaram. A metanálise de Murawski e Swanson de 2001 na Remedial and Special Education foi a primeira grande síntese da literatura sobre eficácia, com resultados mistos, mas cautelosamente positivos, que moldaram as duas décadas seguintes de pesquisa.

Princípios Fundamentais

Responsabilidade Compartilhada

Ambos os professores são responsáveis por todos os estudantes da turma. Em uma classe com coensino, não existe divisão de "seus alunos" e "meus alunos". Os professores de educação especial não trabalham exclusivamente com estudantes que têm Plano de Educação Individualizado (PEI) enquanto o professor da classe comum conduz o restante da turma. Esse arranjo, comum em implementações mal feitas, equivale ao modelo Um Ensina/Um Apoia usado como padrão permanente — o que Friend descreve como o modelo mais capaz de minar os objetivos da parceria. A responsabilidade compartilhada exige acordo deliberado na etapa de planejamento.

Seleção Deliberada do Modelo

Os seis modelos são ferramentas, não uma hierarquia. Os professores escolhem um modelo com base no objetivo de aprendizagem, nas necessidades dos estudantes naquele dia e na configuração física da sala. Uma aula que apresenta um conceito novo e complexo pode requerer a Docência Compartilhada, em que ambos os professores apresentam o conteúdo juntos. Uma aula que exige prática diferenciada pode usar o Ensino por Estações ou o Ensino Paralelo. Duplas de coensino eficazes alternam entre múltiplos modelos ao longo da semana e evitam conscientemente recorrer sempre ao Um Ensina/Um Apoia.

Tempo de Planejamento Protegido

Parcerias de coensino sem tempo de planejamento designado se transformam em improvisação coreografada. Friend e Cook identificam o planejamento compartilhado como o suporte estrutural mais importante para a qualidade do coensino. As sessões de planejamento devem definir quem conduzirá quais segmentos da instrução, como os materiais serão diferenciados, como ambos os professores monitorarão a compreensão dos estudantes e como lidarão com situações comportamentais de forma consistente. A pesquisa de Murawski (2010) mostrou que duplas de coensino com menos de 30 minutos de planejamento conjunto por semana não apresentaram ganhos mensuráveis em relação a salas com apenas um professor.

Paridade em Sala de Aula

Os estudantes devem perceber ambos os adultos como igualmente autoritativos. A paridade se constrói por meio de comportamentos deliberados: ambos os professores se dirigem à turma inteira, ambos redirecionam comportamentos, ambos revisam o trabalho dos estudantes. Quando um professor fica consistentemente ao fundo da sala ou circula em silêncio enquanto o outro ministra a aula, os estudantes rapidamente classificam o segundo adulto como auxiliar. Isso tem efeitos na forma como os estudantes atendidos pela educação especial percebem sua própria condição na turma.

Diferenciação sem Estigma

Uma das principais promessas do coensino é que dois professores possibilitam uma instrução diferenciada mais robusta sem segregar os estudantes que precisam de suporte adicional. Quando há apenas um professor, reagrupar um pequeno grupo para reensinar um conceito marca visivelmente esses estudantes como tendo dificuldades. Com dois professores e modelos estruturados como o Ensino Alternativo ou o Ensino por Estações, o reagrupamento flexível acontece rotineiramente para todos os estudantes, reduzindo o estigma associado ao apoio adicional.

Aplicação em Sala de Aula

Ensino por Estações em Diferentes Níveis

O Ensino por Estações divide os estudantes em três ou mais grupos que rodam por estações conduzidas por professores e estações independentes. Cada professor conduz uma estação, enquanto uma terceira estação funciona de forma independente ou com um paraprofissional. É um dos modelos mais versáteis para o agrupamento flexível.

Em uma turma de 5º ano do Ensino Fundamental trabalhando frações, um professor conduz uma estação com material concreto e manipulável para a divisão de frações, enquanto o outro conduz uma estação com retas numéricas e modelos visuais. Uma terceira estação tem os estudantes praticando de forma independente com problemas em diferentes níveis de complexidade. Os estudantes rodam a cada 15 a 18 minutos. Ambos os professores observam todos os estudantes, ambos avaliam em tempo real, e os agrupamentos podem mudar diariamente com base nos dados formativos.

Em uma turma do 1º ano do Ensino Médio trabalhando produção textual, um professor conduz uma estação de leitura analítica de um trecho e identificação de recursos argumentativos. O segundo professor conduz uma estação de escrita em que os estudantes redigem seus próprios parágrafos persuasivos e recebem feedback imediato. Uma terceira estação tem os estudantes revisando textos de colegas com um protocolo estruturado. A organização apoia estudantes com necessidades educacionais específicas sem que nenhum estudante seja permanentemente designado para a estação "mais fácil".

Ensino Paralelo para Processamento Ativo

No Ensino Paralelo, a turma se divide em dois grupos aproximadamente iguais, e cada professor ministra a mesma aula simultaneamente em partes diferentes da sala. O grupo menor aumenta a participação e a frequência com que cada estudante tem oportunidade de responder.

Em uma turma de 8º ano do Ensino Fundamental revisando as funções das organelas celulares antes de uma avaliação de unidade, dois grupos de cerca de 13 estudantes trabalham com seu respectivo professor para construir um modelo visual usando objetos do cotidiano. Cada estudante manipula materiais, responde a perguntas e explica seu raciocínio em um grupo pequeno o suficiente para que ninguém fique em silêncio. Em uma turma completa de 26 estudantes, muitos passam pela revisão sem se engajar ativamente. O Ensino Paralelo elimina essa possibilidade.

Ensino Alternativo para Reensino Pontual

O Ensino Alternativo usa um professor para trabalhar com um grupo pequeno (tipicamente 4 a 6 estudantes) enquanto o outro continua a instrução com o grupo maior. É o modelo mais adequado para reensinar conteúdo após uma verificação formativa revelar lacunas específicas.

O segredo para usar bem o Ensino Alternativo é variar quais estudantes compõem o grupo pequeno. Quando os mesmos estudantes são sempre retirados, o arranjo recria a sala de aula segmentada que o coensino foi projetado para evitar. O grupo pequeno pode incluir, em diferentes momentos, estudantes avançados aprofundando o conceito, estudantes que faltaram à aula anterior, ou estudantes que querem uma segunda explicação de algo que acharam confuso — a composição rotativa preserva a cultura heterogênea da turma.

Evidências de Pesquisa

A metanálise de Murawski e Swanson de 2001 examinou seis estudos que atenderam a critérios rigorosos de inclusão e encontrou um tamanho de efeito geral de 0,40 para salas com coensino em comparação com salas sem coensino no desempenho dos estudantes. Os autores observaram que o efeito foi mais forte para estudantes com deficiência do que para colegas da educação geral, e que a qualidade da implementação moderou substancialmente os resultados. Uma classe de coensino mal implementada apresentou efeitos próximos de zero.

Hang e Rabren (2009) levantaram dados de 42 salas com coensino no estado do Alabama e verificaram que a satisfação dos professores e o desempenho dos estudantes eram ambos significativamente correlacionados com o tempo de planejamento disponível por semana. Professores com 90 ou mais minutos de planejamento semanal avaliaram suas parcerias de forma mais positiva e apresentaram taxas mais altas de proficiência dos estudantes nas avaliações estaduais. Este é um dos estudos mais claros que vincula suportes estruturais à qualidade dos resultados.

McDuffie, Mastropieri e Scruggs (2009) usaram dados observacionais em 14 salas de ciências com coensino e verificaram que Um Ensina/Um Apoia era o modelo dominante em 11 das 14 salas, mesmo quando os professores relatavam usar múltiplos modelos em questionários. O estudo evidencia uma lacuna consistente entre a prática pretendida e a prática real, sugerindo que o desenvolvimento profissional para o coensino deve incluir ciclos de observação e feedback, e não apenas descrições dos modelos.

Sileo (2011) revisou a literatura sobre relações entre coprofessores e identificou compatibilidade interpessoal e apoio administrativo como fatores que predizem a fidelidade de implementação de forma mais confiável do que o treinamento isolado. Professores designados para parcerias de coensino sem qualquer participação na formação das duplas apresentaram satisfação significativamente menor e piores resultados do que aqueles que tiveram alguma voz na escolha.

Equívocos Comuns

O coensino é voltado principalmente para estudantes com deficiência. O coensino surgiu da legislação de educação especial, mas as pesquisas mostram consistentemente benefícios para estudantes com altas habilidades/superdotação, estudantes de português como língua adicional e estudantes da educação geral sem nenhuma necessidade identificada. A menor proporção professor-estudante em modelos bem implementados cria mais oportunidades de resposta, ciclos de feedback mais rápidos e discussões em sala mais ricas para todos. Enquadrar o coensino como um serviço de educação especial frequentemente leva as escolas a designá-lo apenas para turmas com alta concentração de estudantes com NEE, minando a inclusão em vez de apoiá-la.

Quaisquer dois professores podem coensinar eficazmente com coordenação mínima. Os horários administrativos às vezes criam duplas de coensino sem oferecer tempo de planejamento, formação ou participação dos professores na escolha da parceria. Professores que coletam nessas condições tendem a recorrer por necessidade ao Um Ensina/Um Apoia, que produz os resultados mais fracos de qualquer modelo. O coensino eficaz exige preparação deliberada, colaboração estruturada e tempo. O arranjo não se organiza sozinho.

Coensino e docência compartilhada são sinônimos. A Docência Compartilhada é um dos seis modelos específicos de Friend e Cook, caracterizado por ambos os professores conduzirem simultaneamente a instrução para toda a turma, muitas vezes complementando as explicações um do outro ou debatendo um conceito diante dos estudantes. "Docência compartilhada" no uso informal frequentemente se refere a qualquer arranjo com dois professores. Usar os termos de forma intercambiável obscurece as diferenças significativas entre os modelos e dificulta a comunicação clara entre parceiros de coensino sobre quem faz o quê.

Conexão com a Aprendizagem Ativa

O coensino cria as condições estruturais para que as metodologias de aprendizagem ativa funcionem com mais qualidade e alcancem mais estudantes. Muitas abordagens de aprendizagem ativa que enfrentam dificuldades em uma sala com apenas um professor tornam-se viáveis quando um segundo professor certificado está presente.

O Ensino por Estações é a sobreposição mais evidente: o modelo é estruturalmente idêntico às estações de aprendizagem, com o benefício adicional de que duas estações são conduzidas por professores em vez de apenas uma. Os estudantes recebem instrução direta e feedback em tempo real duas vezes por rotação em vez de uma, e ambos os professores podem observar o trabalho dos estudantes e ajustar sua prática com base no que observam. As estações em uma turma com coensino também tornam o agrupamento flexível sustentável como prática diária, e não como intervenção ocasional.

O coensino também fortalece a implementação do Design Universal para a Aprendizagem. O DUA pede que os professores projetem proativamente múltiplos meios de representação, ação e engajamento. Em uma sala com apenas um professor, oferecer múltiplas representações muitas vezes significa gravar um vídeo com antecedência ou criar alternativas escritas previamente. Com dois professores presentes, um pode entregar uma explicação verbal com um modelo visual enquanto o outro demonstra simultaneamente uma versão física ou digital — apresentando múltiplas representações em tempo real em vez de em sessões separadas.

Metodologias baseadas em investigação e em discussão se beneficiam do coensino porque um professor pode facilitar a discussão enquanto o outro observa, registra padrões de participação, anota o raciocínio dos estudantes e prepara perguntas de aprofundamento. Essa divisão é difícil de manter sozinho e quase impossível de documentar em turmas de 25 estudantes ou mais.

Fontes

  1. Friend, M., & Cook, L. (1992). Interactions: Collaboration Skills for School Professionals. Longman.
  2. Murawski, W. W., & Swanson, H. L. (2001). A meta-analysis of co-teaching research: Where are the data? Remedial and Special Education, 22(5), 258–267.
  3. Hang, Q., & Rabren, K. (2009). An examination of co-teaching: Perspectives and efficacy indicators. Remedial and Special Education, 30(5), 259–268.
  4. Friend, M. (2008). Co-Teach! A Handbook for Creating and Sustaining Effective Classroom Partnerships in Inclusive Schools. Marilyn Friend, Inc.